O movimento “Julho das Pretas” marca a luta, resistência e contribuição histórica das mulheres negras na sociedade. Tem como objetivo fortalecer a ação política das mulheres pretas nas esferas da sociedade brasileira, através de atividades autogestionadas para discutir o racismo, reparação, mudanças estruturais e enfrentamento a desigualdade racial.
Mas, como a luta antirracista é permanente, o CRESSRS lança a provocação: Julho das Pretas de janeiro a janeiro! Com uma série de conteúdos sobre o trabalho de assistentes sociais negras cotidianamente em defesa de uma sociedade sem racismo.
Neste mês de outubro, a assistente social Janaína dos Santos, mulher negra quilombola e profissional autônoma, é destaque. Comprometida com a luta antirracista, Janaína pertence ao Quilombo Rosa Marques, localizado na comunidade de Morro Alto, no litoral Norte do Rio Grande do Sul. Ela atua com projetos de base comunitária que fortalece os povos quilombolas e tem como missão defender e viabilizar o acesso a direitos e construir uma sociedade mais justa, com base na escuta, no acolhimento e na força da sua ancestralidade. “Minha raiz é quilombola, minha luta é por justiça! Eu sou o recomeço, o meio e o começo!”, afirma a profissional.
Janaína acredita que a valorização da mulher negra precisa acontecer todos os dias, todas as semanas, todos os meses e durante o ano inteiro. “O racismo faz parte da nossa existência diária: ele não escolhe hora nem data para se manifestar, nos atravessa de tantas formas que, possivelmente, lutamos até durante o sono”, comenta ela.
Por vivenciar esses atravessamentos no cotidiano do trabalho, a assistente social considera urgente implementar uma política antirracista que seja institucionalizada e, ao mesmo tempo, fortalecer as iniciativas que já existem nesse sentido.
Para ela, o enfrentamento ao racismo não pode depender da atuação de uma única pessoa, gestão ou governo. É preciso transformar essas ações em uma política permanente, com base em dados, fluxos definidos, registros, planejamento, recursos garantidos, protocolos de atendimento e acompanhamento contínuo. “Dessa forma, as ações podem ter continuidade mesmo diante da mudança de gestores e equipes”, complementa.
Formação de pessoas trabalhadoras é fundamental
Segundo Janaína, não basta discutir o racismo apenas no campo teórico: é necessário preparar equipes de trabalho para saberem como agir diante das situações concretas. “Como acolher uma pessoa que relata uma situação de racismo? Qual é o fluxo de atendimento? Quem é responsável por cada etapa? Para onde essa pessoa deve ser encaminhada? Como registrar e acompanhar o caso?”, explica.
A promoção da igualdade racial não pode funcionar como uma ação isolada dentro da administração pública. Ela afirma que é preciso construir permanência, institucionalizar práticas e fortalecer uma rede capaz de garantir que o enfrentamento ao racismo seja uma responsabilidade contínua do poder público.
(51) 3224-3935
(54) 3228-0624
(53) 3025-5756